abril 23, 2006

Encerramento de prisões

A recente proposta do Governo para deslocalizar as prisões de Lisboa, Coimbra e Pinheiro da Cruz, alegando a necessidade de as passar para a periferia, trouxe-nos algumas coisas à ideia.

Em primeiro lugar quero dizer que concordo plenamente com o retirar os estabelecimentos prisionais de Lisboa e Coimbra das respectivas urbes.
Também poderei concordar com o mesmo argumento no que diz respeito ao Pinheiro da Cruz, se me conseguirem explicar qual é a povoação ou localidade onde a mesma povoação se insere.

Também concordo – e esta concordância é válida para os três locais considerados – que os empreendedores imobiliários estão bastante interessados naqueles terrenos.

A área, pertencente ao Ministério da Justiça, onde está implantado o perímetro prisional de pinheiro da Cruz, valerá milhões, tanto mais que fica no litoral alentejano, sensivelmente no meio do percurso entre Tróia e Sines. E aqui não vale dizer mais nada.

Ora, tudo isto nos trouxe à memória uma “brincadeira” que tive com um amigo que era, na altura, director do Estabelecimento prisional de Setúbal.
E a estória conta-se assim:

Na altura, tinha tido a informação de que cada preso custaria ao Estado cerca de dezoito contos por dia (hoje, noventa euros).

Perto desta prisão está um hotel que, na época, cobrava nove contos por APC/dia (alojamento e pensão completa).

A minha proposta assentava em o Estado me dar quinze contos por dia por cada preso, por cada um dos quais eu pagaria nove contos ao hotel e três a cada um deles (para roupa, produtos de beleza pessoal, tabaco, e tudo o mais que o condenado necessitasse. Sobravam três contos que seria o meu lucros (menos de vinte por cento).

A despesa com a formação profissional dos recepcionistas do hotel ficava por minha conta. Estes teriam apenas de dizer aos “reclusos”: Porta-te bem lá fora, senão não entras! (Isto teria de ser dito com algum cuidado porque eles estão habituados a ouvir: Porta-te bem, senão vais dentro!

Sugeria eu na altura que o grande lucro do Estado, para além de poupar três contos por dia, passaria por poder vender os terrenos e de dispensar todo o pessoal.

Garantia eu também que toda esta gente se passaria a portar bem, pois se me derem dormida e pensão completa e mais uns bons tostões todos os dias para gastos, até eu me porto bem…

Publicado por dizerbem em abril 23, 2006 03:18 PM
Comentários

Gostaria de concordar consigo relativamente ao que diz, porque até parece estar bem intencionado. Ao criar uma onda positiva. Mas, se me permite, deve ser concerteza um desses zelosos neo-liberalistas que fazem contas a tudo... Sinceramente, dado o seu talento para contas (faculdade clássica atribuída aos merceeiros - com todo o respeito que nos mercem os genuínos merceeiros) acho que deveria abrir um talho. Não se preocupe com questões de ordem humana, para as quais não tem manifestamente quealquer sensibilidade. Deixe isso para outros julgarem - faça esse favor à humanidade. A humanidade agradece.

Afixado por: Bruno Gonçalves em maio 10, 2006 03:20 PM

Caro Bruno Gonçalves,

Não sou, de certeza, um desses zelosos neo-liberalistas que fazem contas a tudo...

Devo dizer-lhe que não abrirei um talho porque não tenho qualquer aptidão para trabalhar com facas...

Também não sou merceeiro. Fui taberneiro e devo dizer-lhe que nunca tive paciência para aturar bêbados.

Acerta quando diz que não tenho sensibilidade.

Falha quando agradece em nome da Humanidade, pois não creio que a dita o reconeça como seu porta voz.

Disse.

Afixado por: Jorge Santos em maio 10, 2006 11:06 PM
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